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A metodologia de mapeamento participativo dos “Guardiões de Nascentes” foi desenvolvida no âmbito do Projeto Águas. Trata-se de uma experiência prática e vivencial dos moradores da Serrinha do Paranoá, Brasília – DF, descrita em cartilha e no endereço https://www.institutoocadosol.org/projetoguardioesdasnascentes2 para publicizar essa tecnologia social com orientações de como identificar nascentes nas mais diversas regiões no Brasil, de maneira simples e rápida.
O Projeto Águas da Serrinha do Paranoá começou em 2015 como iniciativa do Instituto Oca do Sol e da comunidade de moradores da região, que preocupados com a proteção das águas, uniram-se para preservar seus córregos e nascentes que desaguam no Lago Paranoá, manancial de abastecimento de água para Brasília.
A Serrinha do Paranoá é situada na região administrativa do Lago Norte, entre o Varjão e o Paranoá. Forma um corredor ecológico para a fauna e flora nativa, um elo entre o Jardim Botânico e o Parque Nacional de Brasília. Banhada por inúmeros rios perenes e nascentes é responsável pela produção de grande parte da água limpa do Lago Paranoá, Área de Proteção Ambiental - APA do Planalto Central e do Paranoá, e parte da Reserva da Biosfera do Cerrado.
O Projeto foi responsável pela identificação de mais de noventa nascentes na região de forma participativa, pela força da mobilização dos moradores da Serrinha do Paranoá que, com o uso de seus próprios celulares “smartphones” para enviar as localizações das nascentes, conseguiram mudar o mapa hídrico local. Com o apoio técnico da Administração Regional do Lago Norte para produzir um mapa de nascentes, consolidou-se a identidade geográfica e socioambiental da região. Incluiu a participação das escolas locais, ampliou o sentimento de pertencimento dos moradores, fortalecendo a ação comunitária pela ocupação sustentável com convivência harmoniosa com o Cerrado, as nascentes e os córregos.
Como parte de um dos eixos do Projeto Águas foi desenvolvida a proposta de sinalização das Ecotrilhas da região, que se apresenta como uma estratégia importante de proteção das áreas aptas a corredores ecológicos, viabilizando a colabo ração pelos usuários, ciclistas e caminhantes, como agentes de fiscalização da natureza. O Projeto Ecotrilhas foi premiado pelo III Seminário de Boas Práticas do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade - ICMBio.
Com o mapeamento e o mapa das nascentes, o Projeto Águas fomentou o exercício da cidadania que se traduziu na busca do Ministério Público do Distrito Federal para defesa de um projeto de ocupação urbana sustentável na Serrinha. Contou também com a participação efetiva da Universidade no enfrentamento técnico, político e social a partir do aperfeiçoamento e modernização do projeto urbanístico previsto para ocupação em áreas preservadas, essenciais para a manutenção das águas. Essa aliança efetivou a participação como estudo de caso da metodologia “Cidades Sensíveis à Água”, a qual trata de padrões de desenho urbano e infraestrutura ecológica na perspectiva da justiça ambiental e social.
Desta forma, o Projeto está contribuindo para o fortalecimento de uma consciência cidadã na criação de uma teia de sustentabilidade comunitária, por conexões entre indivíduos e a coletividade, identificando e valorizando pessoas e projetos de "boa vontade", que se integram e aprendem a defender suas bacias hidrográficas, pois delas dependem a sua qualidade de vida. Segue um pouco da história de defesa das águas na Serrinha do Paranoá, Brasília – DF, Brasil |